Aos
22 anos de idade me atrevo a dizer que já conheço o melhor sentimento do mundo.
Não sei como é a emoção de receber um filho numa sala de parto. Nunca me deitei
com a garota mais bonita do colégio. Passei dos vinte sem fazer meu primeiro
milhão. Nunca vi a Aurora Boreal. Mas eu já fui ao Morumbi em dia de jogo.
Sou daqueles que para o carro longe para fugir do flanelinha. Na caminhada rumo ao estádio, ainda longe, já é possível ver um pedacinho do Cícero. O gigante de concreto está lá, como sempre esteve desde 1960, nos esperando de braços abertos para prestigiar o time da casa. É inevitável não sentir um arrepio que vem da planta dos pés e termina no último fio de cabelo. Os olhos vão levemente se marejando, não importa o tamanho da partida.
Ao meu lado passa um carro. Entre gritos de “É TRICOLOR” consigo ouvir um trecho do hino que toca alto no rádio: “Tu és forte, Tu és grande...”. A camisa é um amuleto. A bandeira nos reveste de preto, vermelho e branco. O ingresso está no bolso. É lá onde mergulho minha mão a cada cinco segundos só para verificar se ali ainda se encontra. Para minha sorte sempre esteve. Passaporte para 90 minutos que podem ser angustiantes ou aprazíveis, porém, jamais indiferentes.
Uma das cenas que guardo com maior carinho foi a primeira vez que entrei no estádio. O vão dos portões que dão acesso às arquibancadas trazem um pequeno trecho do campo. O suficiente para deixar o meu queixo no chão. Foi assim na primeira vez. Foi assim na última vez. Na próxima não será diferente, garanto.
Antes de começar a partida tem radinho de pilha, pipoca, tremoço, amendoim, água, sorvete e salgadinhos. No campo tem equipe de reportagem, comissão técnica, jogadores fazendo aquecimento e crianças cobrando penalidades. Crianças que são jovens demais para saber que pisam em solo sagrado, solo de muitas conquistas e algumas derrotas. Todas inesquecíveis. Os times vão a campo entre aplausos para uns e vaias para outros. A escalação do time local é cantada pela torcida. A bola rola, a bola para, o primeiro tempo acaba, o segundo tempo acaba, mas emoções nunca terminam num estádio de futebol. A saída é uma marcha da vitória quando o resultado é positivo. Quando o resultado é negativo a marcha é fúnebre.
No carro, de volta para casa, o assunto não é outro senão o gol marcado, o gol perdido, o cartão mostrado, os pontos perdidos. Já em casa, vendo os gols da partida, a vontade agora é de controlar o tempo e trazer a próxima rodada o mais rápido possível para viver tudo isso de novo como se fosse a primeira vez.
Problema de verdade é quando você fica longe do seu clube. Sou fanático sim, mas não sou daqueles que viaja para ver o time em outro estado. Daqui eu já sofri pelo meu time quando ele enfrentou nada menos que a pior fase de sua história. E também de longe me fiz presente em uma conquista. Sabem uma coisa que nunca vai mudar? O melhor sentimento do mundo. Descobri que não importa o time, não importa o país, tendo o futebol como foco nunca terá nada melhor que uma ida ao estádio.
O tricolor sai de campo para ceder o espaço em meu coração aos Boys in Green, no estádio Aviva. A seleção irlandesa carrega uma responsabilidade teoricamente maior que a do São Paulo Futebol Clube, pois se trata de uma nação em busca de uma vaga para uma Copa do Mundo. A população irlandesa é de aproximadamente 5 milhões de pessoas. Pegue o número de irlandeses morando no país e multiplique por três. É igual o número de torcedores do São Paulo. Pegue a qualidade dos jogadores do São Paulo, divida por três e o resultado é igual à seleção da Irlanda.
Durante a partida contra a Suécia ficou clara a falta de qualidade da esquadra verde comandada pelo italianíssimo Trapattoni. Um time que abusa das ligações diretas e do talento individual de Robbie Keane. Para os irlandeses o ídolo maior. Os garotos em verde perderam de virada para os garotos em amarelo. O gol irlandês foi “achado” após a perdida zaga sueca apenas olhar uma troca de passes e arremate a gol, defendida por Isaksson, concluída por Keane no rebote. Acredite, estava fácil marcar aquele gol.
Quem desequilibrou mesmo foi Ibrahimovic. Sem a bola nos pés o gigante narigudo mostrou muita inteligência tática, sempre bem posicionado. Com a bola nos pés inverteu a função de centroavante para trabalhar de garçom na partida. Com muito sucesso, Ibra sempre conseguia deixar um de seus parceiros na cara do gol. E foi assim que a Suécia virou o marcador e deixou Dublin com um gostinho de guaraná com açaí na boca.
Sou daqueles que para o carro longe para fugir do flanelinha. Na caminhada rumo ao estádio, ainda longe, já é possível ver um pedacinho do Cícero. O gigante de concreto está lá, como sempre esteve desde 1960, nos esperando de braços abertos para prestigiar o time da casa. É inevitável não sentir um arrepio que vem da planta dos pés e termina no último fio de cabelo. Os olhos vão levemente se marejando, não importa o tamanho da partida.
Ao meu lado passa um carro. Entre gritos de “É TRICOLOR” consigo ouvir um trecho do hino que toca alto no rádio: “Tu és forte, Tu és grande...”. A camisa é um amuleto. A bandeira nos reveste de preto, vermelho e branco. O ingresso está no bolso. É lá onde mergulho minha mão a cada cinco segundos só para verificar se ali ainda se encontra. Para minha sorte sempre esteve. Passaporte para 90 minutos que podem ser angustiantes ou aprazíveis, porém, jamais indiferentes.
Uma das cenas que guardo com maior carinho foi a primeira vez que entrei no estádio. O vão dos portões que dão acesso às arquibancadas trazem um pequeno trecho do campo. O suficiente para deixar o meu queixo no chão. Foi assim na primeira vez. Foi assim na última vez. Na próxima não será diferente, garanto.
Antes de começar a partida tem radinho de pilha, pipoca, tremoço, amendoim, água, sorvete e salgadinhos. No campo tem equipe de reportagem, comissão técnica, jogadores fazendo aquecimento e crianças cobrando penalidades. Crianças que são jovens demais para saber que pisam em solo sagrado, solo de muitas conquistas e algumas derrotas. Todas inesquecíveis. Os times vão a campo entre aplausos para uns e vaias para outros. A escalação do time local é cantada pela torcida. A bola rola, a bola para, o primeiro tempo acaba, o segundo tempo acaba, mas emoções nunca terminam num estádio de futebol. A saída é uma marcha da vitória quando o resultado é positivo. Quando o resultado é negativo a marcha é fúnebre.
No carro, de volta para casa, o assunto não é outro senão o gol marcado, o gol perdido, o cartão mostrado, os pontos perdidos. Já em casa, vendo os gols da partida, a vontade agora é de controlar o tempo e trazer a próxima rodada o mais rápido possível para viver tudo isso de novo como se fosse a primeira vez.
Problema de verdade é quando você fica longe do seu clube. Sou fanático sim, mas não sou daqueles que viaja para ver o time em outro estado. Daqui eu já sofri pelo meu time quando ele enfrentou nada menos que a pior fase de sua história. E também de longe me fiz presente em uma conquista. Sabem uma coisa que nunca vai mudar? O melhor sentimento do mundo. Descobri que não importa o time, não importa o país, tendo o futebol como foco nunca terá nada melhor que uma ida ao estádio.
O tricolor sai de campo para ceder o espaço em meu coração aos Boys in Green, no estádio Aviva. A seleção irlandesa carrega uma responsabilidade teoricamente maior que a do São Paulo Futebol Clube, pois se trata de uma nação em busca de uma vaga para uma Copa do Mundo. A população irlandesa é de aproximadamente 5 milhões de pessoas. Pegue o número de irlandeses morando no país e multiplique por três. É igual o número de torcedores do São Paulo. Pegue a qualidade dos jogadores do São Paulo, divida por três e o resultado é igual à seleção da Irlanda.
Durante a partida contra a Suécia ficou clara a falta de qualidade da esquadra verde comandada pelo italianíssimo Trapattoni. Um time que abusa das ligações diretas e do talento individual de Robbie Keane. Para os irlandeses o ídolo maior. Os garotos em verde perderam de virada para os garotos em amarelo. O gol irlandês foi “achado” após a perdida zaga sueca apenas olhar uma troca de passes e arremate a gol, defendida por Isaksson, concluída por Keane no rebote. Acredite, estava fácil marcar aquele gol.
Quem desequilibrou mesmo foi Ibrahimovic. Sem a bola nos pés o gigante narigudo mostrou muita inteligência tática, sempre bem posicionado. Com a bola nos pés inverteu a função de centroavante para trabalhar de garçom na partida. Com muito sucesso, Ibra sempre conseguia deixar um de seus parceiros na cara do gol. E foi assim que a Suécia virou o marcador e deixou Dublin com um gostinho de guaraná com açaí na boca.
Durante o jogo era comum ouvir os irlandeses incentivando seus 11 guerreiros
com o tradicional gritou de “C’mom You boys in Green”. A música começa lenta,
no mesmo ritmo da vinheta do Pedro de Lara em programas do Silvio Santos. Em
seguida o grito se torna mais alto e mais agitado. Impossível não se contagiar
e não cantar junto. Uma pena não ter surtido efeito nas quatro linhas.
Mesmo com a derrota na bagagem a experiência no Aviva Stadium foi inesquecível. O estádio apresenta uma estrutura arrojada. É como se uma nave espacial estacionasse em plena cidade. Teria capacidade para cerca de 70 mil pessoas, mas os vizinhos pediram uma redução alegando falta de luz solar em suas residências. Curioso. Me fez pensar em como o povo tem poder.
Comprei meu ingresso online e retirei na bilheteria com facilidade. Quando em dúvida sobre por qual portaria deveria prosseguir, profissionais me indicaram a direção correta. Dentro do estádio tinha hambúrguer, cachorro quente, bata frita com vinagre, Fish’n’chips e Pepsi. Senti falta dos amendoins. Sentei na cadeira designada a mim, como mostrava meu ingresso. Vi a partida perfeitamente, sem pontos cegos. 50 mil pessoas. 50 mil vozes. Um show de cores. O interior do estádio impressiona.
O interior do estádio realmente impressiona, mas o que ficará para sempre em minha retina foi aquele primeiro encontro com o estádio. Ainda longe dele, me fez sentir como se tivesse 10 anos novamente e estivesse chegando ao Morumbi pela primeira vez. Contive a emoção e enquanto tomava minha pint de Guinness só conseguia pensar no quanto eu amo Futebol.
Mesmo com a derrota na bagagem a experiência no Aviva Stadium foi inesquecível. O estádio apresenta uma estrutura arrojada. É como se uma nave espacial estacionasse em plena cidade. Teria capacidade para cerca de 70 mil pessoas, mas os vizinhos pediram uma redução alegando falta de luz solar em suas residências. Curioso. Me fez pensar em como o povo tem poder.
Comprei meu ingresso online e retirei na bilheteria com facilidade. Quando em dúvida sobre por qual portaria deveria prosseguir, profissionais me indicaram a direção correta. Dentro do estádio tinha hambúrguer, cachorro quente, bata frita com vinagre, Fish’n’chips e Pepsi. Senti falta dos amendoins. Sentei na cadeira designada a mim, como mostrava meu ingresso. Vi a partida perfeitamente, sem pontos cegos. 50 mil pessoas. 50 mil vozes. Um show de cores. O interior do estádio impressiona.
O interior do estádio realmente impressiona, mas o que ficará para sempre em minha retina foi aquele primeiro encontro com o estádio. Ainda longe dele, me fez sentir como se tivesse 10 anos novamente e estivesse chegando ao Morumbi pela primeira vez. Contive a emoção e enquanto tomava minha pint de Guinness só conseguia pensar no quanto eu amo Futebol.
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