domingo, 29 de dezembro de 2013

Pressão popular

Brevíssimo prólogo

E ainda com o arquivo rodando,
a ferida aberta,
o sangue sendo derramado,
reencontro o meu amor.
Amor esse jamais perdido no tempo.
Perdido apenas nas linhas incertas do próximo verso,
que promete ser ainda melhor que o anterior.

Pressão popular

    Não costumo acatar as recomendações públicas. Não sei de onde criei esse estigma de que a voz do povo tem o poder de estragar tudo. Até mesmo algo lindo. Mas dessa vez foi diferente. Graças a Walter White, o badass mais badass da história das séries. Posso estar movido pela paixão, pode ser que seja passageiro pois acabei de assistir a série, mas o que acabei de ver é o suficiente para jamais ser esquecido.
    Nesse tom passional, de quem acaba de deixar a casa da namorada, confesso que valeu a pena assistir Breaking Bad. Baixei a série há pouco tempo, e acho que em menos de um mês terminei as cinco temporadas. O que resta agora? Recriá-las no meu imaginário. Não quero dar novas coordenadas às vidas de Jesse Pinkman, Skyler White, Walter Jr e Marie. Meu coração estará mais vazio a partir de agora sem eles. Sem Hank, sem Saul Goodman, Mike, Gus e tantos outros que deixaram a série há muito tempo. Papéis curtos, porém memoráveis.
    Me faz pensar quais são os limites humanos pelas cifras. Se dinheiro não é causa pela qual Walter vivia, que diversão é essa que ele encontrou sendo um fora da lei? Quem disse que valeria a pena, Walt? Talvez orgulho, ódio, inveja pelo sucesso do casal Schwartz, sendo você o maior desenvolvedor, criador, gênio por trás da Grey Matter? Você poderia ter saído a tempo com aqueles 5 milhões da venda dos barris. Pouparia muitas vidas, muitos esforços. Ou menos, poderia simplesmente queimar aquele livro evidência. Walt Whitman está rindo de você em seu túmulo.
    Sobre o personagem mais influente? Comecei a série te achando o que você era no início: um bundão. Mas que bundão de respeito é esse que engana todo o público por cinco temporadas? Os piores dois anos da vida do personagem,  que se vai na trama e entra para os anais das séries. E que bonito acompanhar sua morte em um laboratório, perto do que você ama, perto do que você é: uma mistura de eficiência com um átomo de loucura; uma mistura de Nitrogênio com Glicerina.
   Muito obrigado a você, Walter White, por fazer parte das minhas manhãs, tardes, noites e madrugadas em claro. Obrigado especial ao público, amigos, colegas do Faceook que postavam, comentavam sobre a série numa mistura de euforia e spoilerismo. Vocês me convenceram. Me entreguei ao apelo público. E quem disse que o crime não compensa?

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