quinta-feira, 25 de julho de 2013

Afinal, o que acontece com o São Paulo?


    Me sinto na obrigação de me posicionar sobre o Mais Querido. Afinal, o que está acontecendo com o São Paulo Futebol Clube?
     Vou começar tentando eliminar o mal pela raiz: diretoria. O São Paulo tinha eleições diretas à presidência a cada dois anos. O estatuto do clube foi alterado em 2008 e partir dessa data o presidente em função tem o direito de exercer seu mandato por três anos. A mudança ocorreu no segundo mandato de Juvenal Juvêncio, o que lhe credenciou um ano a mais no posto. Insatisfeito, Juvenal concorreu às eleições do clube em 2011, onde terminou reeleito para exercer seu terceiro mandato como presidente. Ação ilícita, ainda segundo o estatuto do clube.
     Na época a reeleição de Juvenal não fez muito barulho pois foi abafada pela repatriação do craque Luis Fabiano e pelas seguidas contratações de outros bons jogadores, como Jadson, vindo do Shaktar Donetsk.
    De temperamento forte e declarações descabidas Juvenal é apontado por grande parte da torcida social como o maior culpado pelo atual cenário são paulino. Vale lembrar que hoje, 25 de Julho de 2013, um dia após a derrota para o Internacional de Porto Alegre, em pleno Morumbi, o tricolor chegou a oitava derrota em oito jogos. Como consequência amarga nada menos que a pior fase da história do clube.
     Eu confesso que já gostei de Juvenal, claro! Durante a gestão de Marcelo Portugal Gouvêa, Juvenal Juvêncio era o homem forte do presidente. Atuando como gerente do clube ele alicerçou a equipe que futuramente seria campeã Paulista, Continental e Mundial. Em sua gestão não conseguiu a tão sonhada quarta conquista da Libertadores da América, mas em troca manteve o São Paulo no auge com a inédita conquista de um tricampeonato brasileiro.
    Durante esse período JJ trouxe jogadores como: Ricardo Oliveira, Ilsinho, Miranda, Alex Dias, Jorge Wagner, Leandro, Dagoberto, Borges, Adriano, Eder Luis, André Lima, Washington, Fernandão, Marcelinho Paraíba, Leo Lima, Osvaldo, Cortez, Rafael Tolói, etc. Todos esses nomes de peso que ajudaram a construir uma boa imagem do clube.
    Não credito culpa ao dirigente em casos como o de Paulo Henrique Ganso, que chegou ao clube a peso de ouro e não vem correspondendo com o dinheiro investido. Luis Fabiano, ídolo, boa identificação com a torcida mas comportamento infantil a ponto de colocar o time em apuros em momentos onde deveria ser decisivo. Ou então, Lúcio, xerifão, capitão da seleção brasileira na Copa do Mundo disputada na África do Sul, currículo invejável fora do país e desempenho patético com a camisa do São Paulo. Esses são casos específicos de atletas que ainda defendem o tricolor.
    Não vou em entrar em detalhes de atletas como Arouca, Cleber Santana, Juninho, Marlos, Wagner Diniz,  que chegaram no clube trazendo boas expectativas de títulos e acabaram saindo pela porta dos fundos. Além de outros fiascos - na minha opinião - como Renato Silva, André Luis, Saavedra, Adrian Gonzales, Francisco Alex, Edgar, Xandão, Fernandinho e melhor parar por aqui...
     Em favor de Juvenal conta também o Centro de Formação de Atletas Laudo Natel, localizado em Cotia. A estrutura que o clube oferece para os jogadores da base é melhor, inclusive, que a estrutura oferecida aos atletas do elenco profissional. O investimento trouxe bons frutos: Jean, Hernanes, Breno, Bruno Cesar, Oscar, Lucas, Casemiro, Lucas Piazón, saíram de lá, brilharam com a camisa tricolor e hoje brilham em importantes equipes brasileiras, do exterior e seleção nacional. Outros, com nem tanto brilho assim também foram crias de Cotia: Richard, Aislan, Zé Vitor, Wellington, Diogo, Jackson, Juninho, Chumbinho, Henrique, Lucas Gaúcho, Henrique Miranda, Luiz Eduardo, Ademilson. A lista é realmente longa.
     As recentes transferências de jogadores como Lucas, Casemiro, Oscar e Jean geraram boa renda ao clube do Morumbi. Além do dinheiro criou-se uma filosofia de dependência dos atletas vindos de Cotia e sua utilização na equipe titular. O presidente nunca escondeu que seu sonho era entrar em campo com todos os atletas formados na base tricolor. Soberba? Não, Soberano.


Problema número 1: Já mencionei anteriormente que não culpo Juvenal pelas contratações. O ato de contratar é um ato de risco. O São Paulo não é o único time que contrata e tem problemas com o rendimento dos atletas durante a temporada. Esse é um problema do futebol, não é exclusividade tricolor. Logo, ausento JJ de culpa.
    Em contrapartida culpo Juvenal pela insistência com a base. Aliás, após citar nomes e mais nomes de jogadores formados na onerosa base de Cotia acho no mínimo catastrófica a performance da equipe de Juniores nas campanhas de 2012 e 2013 da Copa São Paulo de Futebol Júnior. Em 2013 o que vimos era uma porção de garotos vestindo a camisa tricolor, porém, recém contratados de outras equipes. Ou seja, caso o time de 2013 se sagrasse campeão os méritos seriam todos depositados em Cotia sendo que os atletas por lá estavam apenas a alguns meses. Pode me chamar de burro, mas acredito que isso não seja “trabalho de base”.
     De repente a atitude de contratar atletas de outras equipes para a disputa da Copa São Paulo foi um ato de desespero perante a pífia campanha de 2012 onde o tricolorzinho foi eliminado ainda na primeira fase. Desempenho muito aquém do esperado. Na minha opinião: culpa da má administração, culpa de Juvenal.
Uma possível solução: Parar de insistir nos garotos da base. Um novo Lucas não surge da noite para o dia. Como disse Rogério Ceni, nosso M1to e capitão: um jogador como Lucas só apareceu 3 vezes enquanto ele defende o São Paulo: nos anos 90 com Denílson, anos 2000 com Kaká e agora com o próprio Lucas. O resultado é o técnico tendo que reverter um placar negativo em pleno Morumbi, olhando para o banco de reservas e vendo Ademilson como opção para o ataque.


Problema número 2: Ambiente. Percebi que a vida de jogador de futebol é muito parecida com a vida de sub empregados: diariamente precisa de um incentivo para não se sentir um completo imbecil! Eu vivo de sub emprego e preciso do meu chefe diariamente elogiando minhas tarefas. Acredito que seja assim também com os atletas pois o que mais escuto por aí são jogadores com o ego abalado após vaias da torcida ou críticas internas. A diferença é que eu ganho dois salários mínimos e os jogadores ganham duzentos salários mínimos.
     O ambiente começou a ficar pesado no São Paulo após tantos atletas reclamarem da reserva ou de substituições que julgavam desnecessárias no decorrer das partidas. O então técnico, Ney Franco, acabou criando um clima hostil no dia a dia do clube na visão de gerentes e atletas. Mas esse tipo de problema não era para ser comentado num blog de torcedor, não é verdade? Esse tipo de problema é para ser discutido ainda no vestiário e lá mesmo ser resolvido. Imprensa não pode tomar partido e atletas profissionais não podem trocar farpas através da mídia. Na minha opinião: Culpa do JJ que mais uma vez deixou a desejar na escolha dos profissionais que ele emprega para gerir o clube.
Uma possível Solução: trabalhar o ambiente interno do clube. Entendo que na vitória não existem problemas, ou melhor, os problemas são encobertos. Mas em momento de vacas magras, como o de hoje, é preciso uma equipe de profissionais apta para administrar o time tanto dentro como fora de campo. Se o jogador precisar de um puxão de orelha tem que existir alguém que o faça. Se o jogador precisar de um incentivo tem que existir alguém que o faça.
    No São Paulo os problemas são tratados com murros, pontapés e microfones. Estamos falando de um clube tricampeão mundial, tricampeão da América, hexacampeão brasileiro e que paga em dia. Precisa de incentivo maior que esse para mostrar o futebol esperado em campo?

Problema número 3: Comissão técnica. Esse muito atrelado ao problema número 2. De 2006 a 2008 além de uma equipe competitiva e vencedora o são paulino se orgulhava dos profissionais fora das quatro linhas. Em especial o núcleo de Reabilitação Esportiva, Fisioterápica e Fisiológica – REFFIS. De cabeça consigo lembrar nomes como os já citados Ricardo Oliveira e Adriano, que vieram para se tratar e acabaram firmando um contrato com o tricolor. Além deles já se trataram no Reffis: Kaká, Júlio Baptista, Zé Roberto, Diego, Thiago Motta. Outra vez a lista é grande.
     E as vantagens não eram apenas no quesito recuperação. De 2006 a 2008 o tricolor se especializou na preparação do atleta. Muito comum ouvir jogador reclamar da tabela do futebol brasileiro. Jogos de quarta e domingo tornaram-se um pesadelo. (Detalhe: dois jogos na semana cansa o atleta. Um jogo o deixa fora de ritmo. Vai entender a boleirada...) Sabendo disso o São Paulo oferecia treinos musculares exaustivos a seus atletas e sem corresponder com as atividades táticas. O resultado era jogadores aptos a encarar uma temporada recheada com um baixo número de lesões.
     Cinco anos se passaram e mais uma vez parafraseando nosso capitão: “Paramos no tempo”. Hoje não escuto no rádio, não assisto na televisão, tampouco leio na Internet sobre jogadores do futebol internacional se tratando no Reffis. Pior, vejo atletas do elenco são paulino sofrendo cãibras aos 20 minutos do segundo tempo. Vejo jogadores indo e voltando do Departamento Médico. Vejo alguns que vão e sequer voltam. Em casos específicos, desde contratados, mais frequentaram o DM que o próprio banco de reservas da equipe. Sofrer uma lesão é normal. Ter metade de um time no Departamento Médico é despreparo. E isso se tornou rotina no São Paulo. De quem é a culpa? A culpa é de quem demite, ou concorda com a demissão dos preparadores, fisioterapeutas, fisiologistas e médicos que compunham uma equipe vencedora. Tudo bem, é difícil falar sobre isso uma vez que não vivemos os conflitos internos do clube. Mas não acredito em profissionais insubstituíveis a ponto de ver uma equipe tão despreparada em campo. Na minha opinião, reflexo de uma equipe despreparada fora dele.
Uma possível solução: Isso vai além do âmbito esportivo, passa pelo setor clínico e estaciona no administrativo. Como torcedor a única solução que vejo é uma equipe inteira e correndo os 90 minutos se não for exigir demais.

    Além dos problemas citados acima em época de crise é normal criar, criar e não finalizar. Ver o goleiro adversário realizar um milagre. Uma bola bater na trave e no contra ataque sofrer um gol. Suspensão de um atleta nas vésperas de um clássico. Todos os times que hoje disputam a Série A do Campeonato Brasileiro já passaram por uma crise nos últimos anos. Times que nunca caíram para a série B, como Internacional, Cruzeiro, Flamengo e Santos já flertaram com o descenso anos atrás. Com o São Paulo não seria diferente. 
    Como torcedor espero ver um time empenhando e raçudo a cada jogo. Técnica também ajuda, aliás, é fundamental. Analisando o plantel tricolor não tenho dúvidas de que brigaríamos por título e por vaga na Libertadores. Sabemos que o nosso problema vai além de técnico. Minha tese é baseada na saída de Ney Franco e permanência dos mesmos problemas. 
Uma possível solução: contratar, treinar, concentrar, visitar um psicólogo...poderia apontar dezenas de medidas cabíveis. Mas a primordial é pressa! Ainda temos cinco meses até o fim de 2013. Um ano que começou com promessa de títulos perante o número de torneios que nos qualificamos a disputar. Mas até agora 2013 se mostrou uma corrida contra o tempo para impedir que o Vermelho não seja a cor da vergonha.

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