quarta-feira, 3 de julho de 2013

Um menino que não gosta de estudar



Eu tenho um burro que não gosta do trabalho

e um menino que não gosta de estudar

qualquer dia tiro o burro da carroça,

boto o burro na escola

e o menino no lugar.

Depois quero ver o burrinho diplomado

com anel de advogado

de casaca e cartola.

E o menino ponho a puxar carroça,

já que ele não estuda

eu o tiro da escola.
   
    Essa uma música era cantada diariamente pela minha mãe. O alvo: eu mesmo. Igual a muitos moleques eu nunca fui de estudar.
    Durante toda minha vida eu  acreditei que as coisas dariam certo de uma forma mágica no futuro. Por exemplo, quando era criança não me preocupava em estudar por que sabia que eu ganharia a vida sendo jogador de futebol. Mas nunca joguei futebol. Sempre fui um perna de pau e sequer participei de uma peneira na vida.
    O tempo foi passando e eu percebi que teria mesmo que estudar. Mas mesmo assim ainda não me preocupava com o mercado, pois sabia que ingressaria numa universidade pública, construiria um ótimo currículo e ganharia rios de dinheiro por mês. O tempo passou, o vestibular chegou, eu não estudei e sequer prestei para uma universidade pública.
    Estudei numa faculdade que estava ao meu nível mesmo. Não precisei de muito esforço para passar, mas muito suor para pagar. Fui trabalhar fora da área acreditando que era questão de tempo até conseguir um trabalho como jornalista, mesmo que fosse um estágio, mas pelo menos um emprego para me iniciar no ramo. Terminei como chapeiro. Mas logo recebi proposta melhor. Virei operador de telemarketing. Foram quatro anos onde aprendi muita coisa. Aprendi a respeitar os profissionais da chapa e da operação, mas sabia que meu objetivo ainda estava longe de ser alcançado.
  Nesse período ocorreram mudanças significativas na minha vida. Terminei o curso de Jornalismo e caí – estupidamente – num golpe. Um cidadão prometeu me levar para Nova Iorque para ser pedreiro, mas isso é assunto para um post futuro. Enfim, resolvi realizar o sonho da minha vida e morar no exterior após me recuperar do golpe. Estados Unidos, Canadá, Inglaterra? Nem tanto. Acabei vindo parar na Irlanda. A facilidade em conseguir o visto de estudante e a possibilidade de trabalhar e estudar simultaneamente acabaram pesando na decisão. Além do preço muito mais em conta em viajar para a ilha verde, comparando com os países citados anteriormente.
    Sabia que teria um desafio pela frente. No Brasil o que mais se ouvia era que a Irlanda se encontrava numa crise irrecuperável. Mais que isso, amigos próximos diziam que fazer um intercâmbio na Irlanda seria outro golpe. Fiz piada junto com os colegas sobre minha própria situação e internamente desejei que fossem todos tomar no cu.
    Estava disposto a abraçar qualquer emprego que aparecesse aqui na Irlanda pois emprego não é fácil em um país onde você não domina o idioma. Me surgiu a chance de ser garçom. Fui garçom. Até ser demitido. Surgiu a chance de ser segurança de balada. Eu, que sempre passei longe de academia, trabalhando como segurança. Fiquei cerca de dois meses no cargo, trabalhando eventualmente. Na primeira noite tentei apartar uma briga entre duas garotas. Me rendeu um arranhão na face.
   Resolvi sair e procurar um emprego de verdade. Uma ocupação para a semana inteira e não bicos. Tive sorte na busca, arranjei um trabalho de floor staff em uma companhia famosa em Dublin. Minhas tarefas se resumem a retirar as bandejas de clientes que terminaram suas refeições e colocá-las em um carrinho vertical. Após inserir as bandejas levo o carrinho até a cozinha onde descarrego bandeja por bandejas para que pratos e talheres sejam limpos e mandados de volta para o restaurante.
     Essa tarefa de conduzir o carrinho com as bandejas até a cozinha me lembra a atividade de um burro de carga. Não reclamo do trabalho, pois é o que vem pagando minhas contas. Só queria mesmo é voltar no tempo e ter me dedicado mais aos estudos quando era criança. Em algum lugar deve ter um burro bem sucedido rindo de mim.

5 comentários:

  1. Detestei seu post, mas ao mesmo tempo existe algo muito bom.

    Acho que quando aprendemos a respeitar as pessoas e suas ocupações, passamos a respeitar nossos momentos, a nós e nossa ocupação. Tenho certeza que você ainda irá trilhar um caminho-ultra-bacanudo no jornalismo *esportivo, de preferência. Nem sei o motivo, mas penso em você super conectado ao jornalismo esportivo*... Enfim, viva tudo que tiver de viver, viva e seja forte, porque seus desafios serão grandiosos e o resultado ainda maior...Espero estar por perto para curtir com brindes.

    Beijos =*
    Glau

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  2. Ahh Glau, você é um docinho! *____*
    Obrigado por detestar meu post. Significa muito para mim. S2
    hahahahaha

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  3. Encontei o post procurando justamente esta canção, pois lembrei dos motivos para minha melhor escolhas, eu a ouvi no jardim de infancia numa cidadezinha no interior do sul marannhece, e ao sair da escola vi um burrinho carregado ate não poder mais de lenha, neste instante eu decidi que iria estudar e ser doutora.
    Hoje sou advogada espero esta trilhano uma carreira de sucesso, e neste momento desejando também que sua vida esteja muito melhor.

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  4. Encontei o post procurando justamente esta canção, pois lembrei dos motivos para minha melhor escolhas, eu a ouvi no jardim de infancia numa cidadezinha no interior do sul marannhece, e ao sair da escola vi um burrinho carregado ate não poder mais de lenha, neste instante eu decidi que iria estudar e ser doutora.
    Hoje sou advogada espero esta trilhano uma carreira de sucesso, e neste momento desejando também que sua vida esteja muito melhor.

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  5. Este comentário foi removido pelo autor.

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