quinta-feira, 29 de junho de 2017

Nove Copas

   Parecia infindável, mas em 28 e junho de 2017 teve fim um processo que começou em 1885, quando nasceu Giovanni Andreazza, o antenato. De lá para cá muita coisa mudou. Principalmente o sobrenome que carrego. Mas o sangue que corre em minhas veias continua o mesmo do meu bisavô.

sexta-feira, 16 de junho de 2017

Galileu Galilei, João Brasil e a zaga do São Paulo


Galileu Galilei foi uma das figuras mais icônicas da história deste planeta, que gira ao redor do Sol. Hoje, sabemos disso graças a Copérnico, Kepler, Newton e o próprio Galileu, que transformaram a visão Geocêntrica em Heliocêntrica. Mas nada veio de graça na vida de Galileu. Os estudos acarretaram a ira da Igreja Católica na época e o físico foi levado ao Tribunal de Inquisição, onde teve que negar suas próprias teorias. Reza a lenda que, no final de seu discurso, lançou um debochado “E pur si muove”. Em português, algo como “no entanto, se move”.

terça-feira, 23 de maio de 2017

Com o futebol, onde o futebol estiver

   Ainda era 15h30, mas já escurecia. Outono europeu é assim. Inverno é ainda pior.
   Passeando pelo parque alaranjado, que fica próximo à minha casa provisória, em Castellanza, poucos minutos de Milão, as folhas caídas forravam meu caminho enquanto o inóspito vento parecia rasgar a carne de meu rosto.

segunda-feira, 1 de dezembro de 2014

Além de Shakespeare

  Bolaños morria praticamente todas as semanas nas redes socais. Notícias plantadas diziam que piorava o estado de saúde do artista mexicano e, de longe, sofríamos por não saber a verdade. Sexta-feira, 28 de novembro, chega uma mensagem em meu celular: “O Chaves (Chapolin) morreu”. Mais uma vez custo a acreditar na notícia. Vou até os sites especializados em informações minuto a minuto. O primeiro deles já estampa Roberto Gomez Bolaños, vestido de Chaves, num fundo preto e branco e as datas em destaque: *1929-2014*. Uma visita a outro site “confiável” e as primeiras lágrimas arriscam cair. Sabíamos que estado de saúde de Roberto era delicado. Mas recusávamos sua morte.
   Quatro dias após seu falecimento, continuo recusando as notícias. Para mim e para milhões de fãs, Roberto estará sempre vivo na memória e na herança que deixou ao mundo com seus personagens célebres.
   A genialidade de Bolaños lhe permitiu a realização de nosso maior sonho: voltar a ser criança. E ele fez isso da maneira mais modesta possível. Poderia ser o que quisesse, mas optou por voltar na forma de um garoto pobre, que mora no número 8, porém, nunca conhecemos sua casa. O único abrigo que conhecemos é seu barril. É lá onde ele mora, sem pagar aluguel. Algum vizinho se importa com a presença do garoto? Não. Mesmo aprontando suas diabruras, ninguém cogita expulsá-lo da vila pelo simples fato de não se importar com ele. Qualquer semelhança com o último pedinte que te abordou na rua não é mera coincidência.
   “Vai estudar, moleque! Você tem prova amanhã e está aí assistindo essa porcaria de Chaves? Você antecipa todas as piadas, já sabe o final de todos os episódios e fica aí rindo feito tonto. Toma vergonha nessa cara!” Mal sabiam estes que era lá onde eu mais aprendia. Aulas de Literatura Clássica mescladas com chavões populares em sua mais pura essência. E após anos dedicados aos seus episódios, hoje, com 23 anos, consigo conversar por horas com amantes das obras de Bolaños, utilizando apenas o nosso dialeto Boloñes.
   E o que dizer de um herói medroso, sem poderes especiais, que sempre se da bem no final? Um herói que tem como arma uma marreta biônica, que em alguns episódios pode ser letal, e em outros parece simplesmente ineficaz. Enquanto isso, no gigante imperialista localizado geograficamente acima do México, consolidava-se a imagens de super-heróis e sua bravura. A cada novo gibi um deles era o responsável por salvar a cidade de Nova Iorque, os Estados Unidos da América, até o ponto que a pátria não foi o suficiente para eles e tiveram de se arriscar a salvar o planeta com seus poderes além-humanos. Era a síntese da política norte-americana em quadrinhos.
   Nosso herói, humildemente, sofria para combater o sorrateiro pirata Alma-Negra, a malvada Bruxa Baratuxa, os perigosos bandidos Tripa-Seca, Quase-Nada, Racha-Cuca, Pistoleiro Velez, Mão-Negra e Poucas-Trancas, o assustador fantasma Riacho Molhado, o "Abomineve Homem das Naves", o Bebê Jupteriano. Uma coleção de vitórias invejável! Um herói que não impõe respeito, em um cenário onde tudo é de isopor, tal qual seu país, sempre à sombra das grandes produções norte-americanas. Sua maior qualidade não era triunfar sobre o inimigo, sua maior qualidade era sua astúcia. Não à toa o vermelho era sua cor.
   Quarenta anos após o surgimento dos personagens Chaves e Chapolin, o México ainda não resolveu problemas como a pobreza, narcotráfico, violência e analfabetismo. Basta uma olhada nos diários internacionais e veremos que os mexicanos ainda não resolveram sequer o problema do desaparecimento dos 43 estudantes da cidade de Ayotzinapa. Nas palavras do ex-presidente uruguaio, José Mujica: “um Estado falido”.
   Uma nação - não diferente da nossa - carente de identidade; uma nação carente de heróis. Bolaños está longe de ser o salvador da pátria, mas a devoção daqueles que deram volta olímpica no colossal estádio Azteca, tendo seu corpo como troféu, é o maior símbolo de sua herança positiva ao país. Em outras palavras, Roberto ajudava a confortar a árdua tarefa de ser mexicano.
   Descanse em paz, Polegar. Nós, os bons, jamais esqueceremos seus jargões e seu legado na Terra. E jamais deixaremos de rir com sua sofisticada maneira de entreter.

“Prometemos despedirmos sem dizer adeus jamais. Pois haveremos de nos reunirmos muitas, muitas vezes mais”




segunda-feira, 27 de outubro de 2014

Só sei que nada sabemos



Antes de mais nada, gostaria de agradecer a todos os chatos que nos últimos dias expressaram sua opinião política através de diversos meios de comunicação. Em especial as redes sociais. O fato de estarmos discutindo política e deixando o corriqueiro de lado me sugere que, finalmente, estamos estabelecendo primordialidades e, indiretamente, deixando o inútil de lado.
Verdade seja dita: a maioria que comentou, acabou falando asneira. Não deprecio. Aliás, sou um daqueles que cisma com uma doutrina e a segue até ser persuadido. Às vezes, nem eu mesmo entendo por que sigo a toada. Me interesso, vou atrás, pesquiso superficialmente, mas, nunca me aprofundando em nenhum assunto. Nada além da minha velha sina de querer entender de tudo um pouco e me especializar em porra nenhuma. E com política não seria diferente. 

Acho que entender política em um cenário conturbado igual o que estamos é igual tentar explicar um placar de 7x1 numa semifinal de Copa do Mundo. Faltam argumentos e sobra falácia. 

Ainda não sei o que esperar do Brasil de Dilma. Provavelmente, mais quatro anos do mesmo. Escândalos aqui e acolá, inflação incontrolável e desvalorização da moeda nacional. Tampouco imagino o que seria do país nas mãos do contestado PSDB. São Paulo come o pão que o diabo amassou há anos com o governo peemedebista. E nem sequer uma aguinha para engolir esse sofrido pãozinho.

Nunca concordei com essa máxima de que o voto é secreto. Não faço do meu voto um segredo. Prefiro expor minha opinião e aprender sobre a opinião alheia. Atitude que acabou custando caro nas últimas eleições. Difícil explicar para minha mãe que eu não sou petista; que votei no PT apenas por eliminação. Mesmo se eu fosse petista, essa condição não faz de mim um monstro. Existe muito mais por trás dos bastidores da política do que supõe nossa vã filosofia para erguer qualquer bandeira.

O Brasil virou um dérbi. O time de azul contra o time de vermelho. Porém, repito: estou muito feliz com a condição. Acredito que a partir de agora a tendência é acompanhar mais de perto o que nossos “representantes” estão tramando. A partir de 1º de Janeiro quero ver todos abaixando suas bandeiras e erguendo suas lupas. Vamos ler mais jornais e revistas (Mais de um jornal e mais de uma revista, por favor!). E vamos cobrar as promessas, antes que virem arquivos de gaveta. Já perdemos muito tempo para sermos passados para trás por mais quatro anos.

Se você leu e gostou, obrigado. Se leu e não gostou, obrigado mesmo assim. Esse é o relato de alguém que não conhece muito sobre política, mas que construiu seu ponto de vista estudando o assunto proposto e respeitando a tese adversária. Não se sinta obrigado/a a curtir, compartilhar ou mover qualquer crítica ou sugestão. De nada irá adiantar porque de nada eu sei. E vou custar a acreditar que você sabe muito mais do que eu. Pretensioso, sim. Bitolado, talvez. Mas nunca leviano. E se ignorância é uma bênção: até aqui vem me ajudado o Senhor. Amém!



domingo, 25 de maio de 2014

Rebel Love


   During my international experience I learned precious things. Since cooking my own food till get my student Visa done. During my international experience I met lots of people. People from everywhere. With some of them I spent few minutes. With others I spent precious moments which I’ll never forget. I believe that every single one has an advice to give, a thought to share and some knowledge to spread. I can’t remember all the people I had been with, but their legacy should be never forgotten. 
    Being passionate by football makes me closer to people who feels the same as I do about the sport. It is hard for me to say when my passion for football loses space to the love I feel from my team. My family thinks I’m crazy when I am watching a match. When they see me screaming with the television they ask me: “Is it a final? Why are you yelling so much at the players who can’t hear you? Have you lost your mind?” So I say: “No, its not a final. It’s just a friendly game. No points in game. ” Yeah, I confess I may take football too serious. More than I should, maybe.
    So, I graduated as a Journalist. I believe it would keep me close to the team I love. But we all know that journalists should never take a side on games. So I started to focus on football as a spectacle more than a rivalry. It worked a little bit. I still can see football in a professional way. But it's hard to detach from my beloved team. I keep on trying.
     Still during my trip, I got in touch with football fans from different countries. And the worst happened to me. It is hard to follow your own team, indeed. Hard to follow the daily news about players. When I though my passion was controlled, now I must deal with a divided heart. What before was completely red, black and white now got a new red and white tone. Not the same red that represents São Paulo’s passion. Not even the same white that represents São Paulo’s glories. Now it’s a colchonero red and white. I was not looking for a new passion, but this passion came straight on my direction. And it was unavoidable not to fell in love with it.
   Where does it come from? Influence, probably. Besides, hatred from Madrid's popular team, the almighty Real Madrid. Always considered as the best team in the world, trophies and more trophies, money and more money, the richest part of Madrid, the Galactic. It always sounded awfully phony for me. My biggest colchonero friend once told me: “Bro, I need to tell you something really important, pay attention:  When you choose Atleti, you are not making a simple choice. Its not easy to grow up in a town influenced by Real Madrid. Among my classmates, most of the times I was the single atleticano. Maybe one or two more, but we were always minority. You know why? Because we are the rebels. We came from a different education, we have different traditions, we are proud of it. So, please, honor our colors.”
    Those words kept me on thinking about this passion. Coincidence or not Atletico de Madrid was facing its best moment In years. World’s attention was focused on Cholo Simeone's squad at that moment. I wondered If that was true love or enthusiasm. The answer was clear: May, 24th, 2014. Lisbon, Portugal, Light Stadium. Football's second largest event was taking place and Atletico was involved. On the other side the biggest rival, a trick from destiny. Time for glory or time to reset and carry on. Real Madrid was there due to it's fabulous campaign. So was Atletico, but, during the competition, Atletico faced a hardest rival. Harder than any enemy Real had ever faced: distrust. And Atleti beat them all majestically till the final.
    About the game there is not much left to say besides all the bravery and commitment shown by our boys. All the fourteen rojiblancos who went to that field and gave their best will be always remembered. Doesn’t matter if the trophy didn’t came. Remarkable moments of glory were conquered and all the supporters are more than proud of our team.
     Personally I must say that this May, 24, 2014 was the day of my higher achievement. The day that was clear for me that a passion developed to a great love and since now better times are coming. We don’t have to face distrust anymore because next year they will fear us. And If they doubt our abilities they must be prepared because there will be no mercy. After all, that’s what rebels does. We fight and we are never beaten.



quarta-feira, 21 de maio de 2014

Vista de fora

    Há um tempo eu era tomado por um patriotismo que apenas surgiu e foi crescendo ao longo do tempo. A medida que o sentimento foi ganhando forma eu comecei a me perguntar até que ponto eu era retribuído. Optei por sair do país. Acreditei que passar um tempo longe me tornaria mais experiente a ponto de julgar minha nação com olhos críticos e, indiretamente, sanar a necessidade humana de busca por um lugar ideal.
    Após vinte meses morando em Dublin, na fria Irlanda, ainda não sei se obtive conhecimento suficiente para comparar com o Brasil. Aliás, pode ser que o tempo que passei pela ilha verde não ofereça credenciais sequer para tratar sobre Irlanda. Mas seguro nas mãos do sendo comum e os presenteio com minhas impressões.
    Começando, talvez, pelo delicado e já abordado tema: patriotismo. Mesmo há 10 mil kilômetros de casa nunca me senti longe, tamanha presença massiva de brasileiros em Dublin. Gente de todos os cantos do Brasil. Várias raízes em comum, porém, diversos pontos de vista. Foi comum encontrar jovens, recém formados ou não, em busca de uma nova experiência enquanto "perdidos" na vida. Foi comum encontrar pessoas mais velhas, recém formadas ou não, em busca de uma nova experiência enquanto "perdidos" na vida. Para o meu alívio. Para o meu desespero.
    Em uma dessas conversas de pub me disseram que quem sai do país de origem, geralmente, foge de algo. Fui obrigado a concordar em termos. Ainda não sei o motivo da minha fuga, mas gosto da alcunha de fugitivo. A maior fuga, talvez, seja da cidade gigante onde cresci ou o próprio peso do fardo. Outra semelhança dos que aqui encontrei é o recomeço. Inevitável para cada um de nós. E devo confessar que sentia inveja daqueles que voltavam com a cabeça feita. E, às vezes, certa piedade por eles.
    Nessas horas eu via emergir a figura de um vilão com pinta de herói. Ele que traje roupas velhas, sinais de castigado pelos maus tratos. Seu gosto é azedo e seu aspecto é áspero. Capaz de criar e destruir com a mesma facilidade. Guarda um poço de sentimentos felizes ora raivosos. Pode ser facilmente reconhecido pelo largo sorriso que sempre carrega no rosto e atende pelo nome de povo de brasileiro.
    Nossa maior herança, nosso maior trunfo. Nós que em meio há uma selva de misturas podemos facilmente nos reconhecer na multidão. Nós que ganhamos fama internacional com o nosso jeito. Os mesmos que elevam e denigrem. Todos donos da verdade e cada um em busca da mais confortável para acreditar. Basta um olhar para reconhecer. Mas faltariam palavras no dicionário para classificar.
    Não sei se sou exemplo do bom brasileiro. Não conheço o dito cujo. Sou exemplo de amor e esperança. Talvez fosse exemplo de fé, se ao menos tivesse em quem depositar. Seria difícil explicar coisas que vivi. Meu único desejo é voltar e ser o exemplo. Exemplo de mim, para eu mesmo. Por o Brasil no peito e fazer da minha forma. Um comentário no balcão da padaria não muda, só ofende. E se o jeitinho incomoda, por que não testar de outra maneira?
    Travamos batalhas diárias, mas a guerra já está perdida há muito tempo e dentro da gente. Bastou uma saída para limpar as lentes que me fazia enxergar o belo e descobrir que é bizarro. A mesma lente crítica que me faz ver além. País do futuro há anos. E esse futuro que nunca chega.
    Se o tempo não é gentil com a gente, é esse mesmo tempo quem virá, e quiçá, venha com boas notícias. Pode ser que não mude para um todo, mas a mudança fundamental já começou. Não é preciso sair do país para evidenciar seus benefícios e malefícios. A mudança fundamental começa de dentro. Custa nada, mas se não vier pode ter um custo alto e o troco vem em bala.
    Lá se passaram vinte meses. E eu que sempre pensei nesse artigo ainda não sei como terminá-lo. Talvez não mereça um fim; as opiniões estão sempre mudando. Sou grato, pelo menos, por ter conseguido começar. Difícil resumir todas as experiências. Mais difícil ainda não apelar para o lado social. O peito estava cheio e casou perfeitamente com o branco do papel.
    Para terminar com cara de blog às moscas que o rodeia, deixo um tutorial para o modelo de sociedade utopicamente perfeita em que quero viver:
.deixe a esquerda livre;
.sinalize quando no trânsito;
.peça por favor e agradeça;
.não fume em lugares fechados;
.jogue o lixo no lixo;
.não fure filas;
.respeite;

    Parece simples de seguir, mas há momentos em que fraquejamos. Prometo que vou tentar seguir à risca, mas garanto que jamais perderei a essência que construiu o que sou: brasileiro com muito orgulho, obrigado.