segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

Íntimo



   Vou revelar algo nesse post que acredito ser comum entre vocês. Mas claro que a gente não toca no assunto por que é daquelas peculiaridades que não se toca no assunto. Se você acompanha meu blog deve associar com aqueles pensamentos sobre sentimento universal. Se você não acompanha o blog sorte sua. Está perdendo nada. 
   Às vezes eu converso com amigos através do Facebook. Independente de quem é esse amigo, eu imagino o diálogo na minha cabeça. É como se a voz da pessoa se apoderasse da minha mente e nesse momento, independente da distância, eu converso realmente com ela. A diferença é que minha imaginação permite desdizer. O que em alguns casos é um alívio.
   O que quero dizer é que muitas vezes eu escrevo algumas coisas e apago. Se tivesse publicado – seja nesse blog, seja nas conversas informais através das redes sociais – todo o conteúdo que já escrevi, teria muito assunto para tratar. Mas a questão é que busco um motivo pelo abandono de minhas próprias palavras. Será que numa mesa de bar eu simplesmente descartaria a ideia com um ingênuo: “Pensei numa coisa, mas deixa para lá”. Seria isso uma insegurança da minha parte? Vocês fazem isso também?
   O problema é que sempre levanto questões por aqui que nunca saberei a resposta. Acho que o blog deveria se chamar “Fernando retoricando”.
   E para encerrar por cima eu vou citar um poema de Carlos Drummond de Andrade que é a síntese da minha existência: 

Poema de sete faces – Carlos Drummond de Andrade

Quando nasci, um anjo torto
desses que vivem na sombra
disse: Vai, Carlos! ser gauche na vida.
As casas espiam os homens
que correm atrás de mulheres.
A tarde talvez fosse azul,
não houvesse tantos desejos.
O bonde passa cheio de pernas:
pernas brancas pretas amarelas.
Para que tanta perna, meu Deus, pergunta meu coração.
Porém meus olhos
não perguntam nada.
O homem atrás do bigode
é sério, simples e forte.
Quase não conversa.
Tem poucos, raros amigos
o homem atrás dos óculos e do bigode.
Meu Deus, por que me abandonaste
se sabias que eu não era Deus,
se sabias que eu era fraco.
Mundo mundo vasto mundo
se eu me chamasse Raimundo
seria uma rima, não seria uma solução.
Mundo mundo vasto mundo,
mais vasto é meu coração.
Eu não devia te dizer
mas essa lua
mas esse conhaque
botam a gente comovido como o diabo.

7 comentários:

  1. Primeiro de tudo, parabens por teu blog!, e segundo: há 8 anos que não estudo português e provávelmente tenha milhares de erros...
    Gostei da tua reflexão. As veces é mais difícil escrever do que falar, é um tópico mas é assim! Tens ao frente à pessoa, e jogas com a vantagem das sináis do rosto, gestos, se está a compreender o que estás a dizer o pelo contrário não, se está a se ofender,etc. Têns possibilidade de mudá-lo à medida que vejas reações (também não toda a gente é capaz de responder rápidamente mas isso é outra questão...)
    Quando escreves(numa conversa do chat) é mais a devagar , contas com isso, inclusive pensas pela outra pessoa porque tens de te pôr no seu lugar para evitar mal-entendidos, e por isso que quase conversas contigo mesmo.
    Respeito de ouvir à pessoa com quem falas pelo chat ou leindo uma mensagem, eu sempre penso na voz da outra pessoa, mesmo entras na sua cabeça... E é que escrito tudo é mais complexo, muito mais sem explicações ou sabendo que não vais ter resposta rápida...

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    1. Nhaa obrigado pelo comentário, Laura. :)
      Acho que meu texto tem uma característica oral predominante. Entendo isso como um vício. Mas ao mesmo tempo acredito que pode me aproximar do leitor.
      As conversas informais através do chat é uma coisa diferente, mas mesmo assim eu tento trazer para o lado oral para criar um jogo divertido entre as mensagens. E sempre imaginando o diálogo na minha cabeça. hahahaha
      See ye.

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  2. Então é por isso que tardas em escrever nas conversas, porque estás a falar na tua cabeça?!kkk.
    Beijo.

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    1. hahahahaha prova disso é que demorei para responder essa. Acontece...

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  3. Que dilema, né?! Mas sei lá. Nessas horas prefiro ser natural, como você mesmo disse. O resultado é só o resultado. Bom ou ruim, sempre nos tornando esclarecidos. Acho válido tentar. "Impossible is nothing" diria algum diretor de marketing da Nike.

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  4. Respostas
    1. Ele é lindo! Só que quando eu recito é por que tem coisa errada. hahahaha

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