domingo, 29 de dezembro de 2013

O baú do avô

     Com muita tristeza eles entraram na casa do finado. Foram até o quarto e selecionaram o mais belo terno que encontraram. Tudo sem dizer uma palavra.
    O neto caçula, de aproximadamente oito anos de idade, queria romper o silêncio, mas sabia que suas palavras imaturas não confortariam os corações desolados. Preferiu continuar calado. Um atrás do outro, os familiares deixaram o quarto. O neto foi o único que permaneceu.
    Abriu gaveta por gaveta. Abriu todas as portas do armário grande, dividido igualmente com a esposa, falecida anos antes e mantido intacto desde então. Exceção feita ao vestido azul, com o qual fora enterrada.
     O menino deixa o quarto. A família reúne-se na sala. Ele não entende o teor da conversa. Sai, dirige-se para a cozinha. Olha para a mesa e se lembra, com carinho, de quando costumava tomar café da tarde com o avô. Lembra-se das reuniões de família ao redor da mesa comprida. E se lembra como a mesma mesa parecia curta durante as ceias de Natal. Do outro lado da cozinha ainda repousa o bule de café. Agora gelado, aqueceu a garganta do avô pela última vez no dia anterior. A mancha de café no tapete da sala ainda é visível e exala o cheiro dos grãos colombianos, fortes, o preferido do avô.
     Vagarosamente, caminha até a garagem. Vê o baú velho onde a vó costumava guardar panos e cobertores antigos. Abre com dificuldade a pesada tampa. Automaticamente, penetra em suas narinas o cheiro agradável da avó. Se pergunta como é possível um cheiro tão doce resistir tanto tempo no baú velho. Vasculha pelos panos por alguns instantes até encontrar uma caixa que lhe rouba toda a atenção.  Uma caixa de madeira, empoeirada. Uma mescla de verniz com madeira bruta. Abre a caixa com cuidado e além de pequenas baratas e outros insetos mortos, encontra os tesouros do avô.
     Não se tratava de moedas ou notas de dinheiro. Dentro da caixa havia um broche, um soldadinho de brinquedo, correspondências, uma fotografia, recortes de jornais velhos -já deteriorados pelo tempo - uma infinidade de figurinhas em preto e brancos de atletas que jamais ouvira falar e uma fita amarela com o nome de sua avó.
     O garoto poe a caixinha em seu colo. Delicadamente, tira umas figurinhas do bolo e analisa uma por uma. Ao terminar, as coloca de volta na caixa e resgata uns recortes antigos da Gazeta do Povo, jornal da cidade de seu avô. O papel se desfaz em suas mãos, tornando a leitura impossível. Em uma das imagens consegue identificar um menino, com trajes caipiras e um longo chapéu na cabeça. O mesmo menino aparece na fotografia.  Sem chapéu e desta vez rodeado por outros rostos que ele desconhece. Deduz que o menino nas fotos seja seu avô.
     Seu pensamento ganha asas enquanto mexe na caixa. Faz do soldadinho de chumbo um bravo combatente. Se espanta com as cartas trocadas pelo avô com o irmão, datando nada menos que sessenta anos antes do seu nascimento. Se admira ao ler "Regata de Ouro, 1931" no broche. Só não entende o porquê da fita amarela com o nome de sua avó. Acredita que pela ternura da caixa e por seu conteúdo, o avô depositou muito carinho ao guardar seus pertences.
     Escuta alguém se aproximando. Guarda rapidamente a caixa dentro do baú enquanto seu pai abre a porta da garagem chamando seu nome:

"...vamos? Já pegamos o terno. Estão nos esperando para levar o corpo ao velório."
"Vamos", diz o garoto com voz frágil. Ele completa: "...podemos voltar amanhã? Eu queria dar adeus à casa."
"Dar adeus à casa?" pergunta o pai com espanto. "Mas a casa vai continuar aqui para sempre."
"Mas sem o vô." - replica o garoto.
"Filho, seu avô não precisa mais se preocupar com a casa. Em questão de meses outra pessoa estará vivendo aqui e a casa vai ficar bem. Igual ao seu avô."
"A gente pode voltar mesmo assim?" - insiste o garoto.
O pai finaliza dizendo:
"Bom, isso a gente vê depois. Agora vamos indo que a gente não pode se atrasar."

Em silêncio, todos entraram no carro deixando boas recordações para trás.

Pressão popular

Brevíssimo prólogo

E ainda com o arquivo rodando,
a ferida aberta,
o sangue sendo derramado,
reencontro o meu amor.
Amor esse jamais perdido no tempo.
Perdido apenas nas linhas incertas do próximo verso,
que promete ser ainda melhor que o anterior.

Pressão popular

    Não costumo acatar as recomendações públicas. Não sei de onde criei esse estigma de que a voz do povo tem o poder de estragar tudo. Até mesmo algo lindo. Mas dessa vez foi diferente. Graças a Walter White, o badass mais badass da história das séries. Posso estar movido pela paixão, pode ser que seja passageiro pois acabei de assistir a série, mas o que acabei de ver é o suficiente para jamais ser esquecido.
    Nesse tom passional, de quem acaba de deixar a casa da namorada, confesso que valeu a pena assistir Breaking Bad. Baixei a série há pouco tempo, e acho que em menos de um mês terminei as cinco temporadas. O que resta agora? Recriá-las no meu imaginário. Não quero dar novas coordenadas às vidas de Jesse Pinkman, Skyler White, Walter Jr e Marie. Meu coração estará mais vazio a partir de agora sem eles. Sem Hank, sem Saul Goodman, Mike, Gus e tantos outros que deixaram a série há muito tempo. Papéis curtos, porém memoráveis.
    Me faz pensar quais são os limites humanos pelas cifras. Se dinheiro não é causa pela qual Walter vivia, que diversão é essa que ele encontrou sendo um fora da lei? Quem disse que valeria a pena, Walt? Talvez orgulho, ódio, inveja pelo sucesso do casal Schwartz, sendo você o maior desenvolvedor, criador, gênio por trás da Grey Matter? Você poderia ter saído a tempo com aqueles 5 milhões da venda dos barris. Pouparia muitas vidas, muitos esforços. Ou menos, poderia simplesmente queimar aquele livro evidência. Walt Whitman está rindo de você em seu túmulo.
    Sobre o personagem mais influente? Comecei a série te achando o que você era no início: um bundão. Mas que bundão de respeito é esse que engana todo o público por cinco temporadas? Os piores dois anos da vida do personagem,  que se vai na trama e entra para os anais das séries. E que bonito acompanhar sua morte em um laboratório, perto do que você ama, perto do que você é: uma mistura de eficiência com um átomo de loucura; uma mistura de Nitrogênio com Glicerina.
   Muito obrigado a você, Walter White, por fazer parte das minhas manhãs, tardes, noites e madrugadas em claro. Obrigado especial ao público, amigos, colegas do Faceook que postavam, comentavam sobre a série numa mistura de euforia e spoilerismo. Vocês me convenceram. Me entreguei ao apelo público. E quem disse que o crime não compensa?

sábado, 19 de outubro de 2013

Brincando de Jorge Furtado

    Gabriel é um marmanjo. Ele tem 19 anos e acabou de terminar o ensino médio. Como recompensa sua mãe lhe comprou passagens para Liverpool.
    Liverpool é uma cidade da Inglaterra. A capital da Inglaterra é Londres. A Inglaterra faz a parte do Reino Unido. Além da Inglaterra o Reino Unido é composto por Escócia, País de Gales e Irlanda do Norte. A capital do Reino Unido é Londres, mas isso não significa que a capital da Escócia, Irlanda do Norte ou País de Gales seja Londres. A capital da Escócia, por exemplo, é Edimburgo. É comum ver um homem usando saia na Escócia. Belfast é a capital da Irlanda do Norte e Cardiff é a capital do País de Gales. Lá os homens não costumam usar saias.
    Por não saber essas informações Gabriel repetiu a sexta série. Ele não atingiu a média necessária na disciplina Geografia e por isso vai precisar refazer a sexta série em um novo ano letivo. Ano letivo corresponde ao período de um ano em que você está devidamente matriculado em um colégio e cumprindo com suas atividades escolares.
     Quando finalmente passou da sexta para a sétima série Gabriel voltou a relaxar nos estudos e não atingiu a média necessária em Matemática. Isso fez com que Gabriel repetisse a sétima série. No colégio Santa Rita de Cássia a média que determina se um aluno passa ou não de ano é feita através de um balanço bimestral. Bimestre é uma unidade de tempo que marca dois meses. Gabriel sempre se questionou por que o nome ”bimestre” sendo que o intervalo entre um bimestre e outro é de três meses. Por não saber a resposta para essa e outras questões Gabriel acabou reprovando, também, na disciplina Raciocínio Lógico. A nota da primeira prova bimestral de Gabriel foi somada à nota de sua segunda prova no mesmo bimestre e dividida por dois. Divisão é uma operação matemática onde você reparte um todo para criar partes iguais. A divisão mais famosa da história da nossa humanidade foi feita por Jesus Cristo quando multiplicou determinada quantia de pães e depois dividiu entre seus discípulos. Antes de dividir Jesus multiplicou. Multiplicação é uma operação matemática onde você multiplica dois números e obtém um produto final.
    Existem pessoas que não acreditam em Deus. Deus é o pai de Jesus Cristo. Jesus foi um ser humano. Deus não é humano, é um deus. Existem pessoas que não acreditam em Deus. Eles são chamados ateus. Os ateus acreditam que a divisão mais famosa da história da humanidade foi a divisão feita em Berlim no ano de 1961. Na ocasião foi construído um muro no meio da cidade, separando o lado Ocidental do lado Oriental. O ato foi considerado desumano. Desumano é aquele que não é humano, igual foi Jesus e igual a Gabriel, que por não saber essas informações acabou reprovando na disciplina de História.
   História é uma ciência que estuda praticamente tudo. Desde os primórdios da nossa sociedade, em uma época onde praticamente não tinha o que se contar, até os dias de hoje. Na primeira prova bimestral de História Gabriel tirou 3,7. Na segunda prova ele tirou 6,1. Somando 3,7 + 6,1 chegamos no produto 9,8. Para não ser reprovado Gabriel precisa que essa soma dividida por dois seja maior ou igual a 6. Caso seja maior ele está aprovado na disciplina. Caso seja menor Gabriel está reprovado. O cálculo é o seguinte:

3,7 + 6,1 = 9,8 ÷ 2 = 4,9.

Foi assim que Gabriel reprovou em História, Matemática e Raciocínio lógico na sétima série.

    Liverpool também é mundialmente conhecida por ser a terra dos Beatles. Beatles é o quarteto mais famoso da história da música. Música é uma combinação de sons que harmonizam entre si, podendo ser encontrada em vários estilos. Os Beatles tocam rock. Rock é um estilo musical. Existem pessoas que não gostam de rock. Para eles o quarteto mais famoso da história é o Quarteto Fantástico. Quarteto Fantástico é um grupo de Super Heróis das histórias em quadrinhos. O sucesso nos quadrinhos fez com que uma versão do fantástico quarteto fosse produzida nos cinemas. Cinema é a arte responsável por captar imagens e projetá-las para o público. O primeiro filme projeto ao público foi feito em 1885 pelos irmãos Lumière, na França. O filme mostrava um trem chegando a uma estação. O espanto do público perante tamanha novidade para a época foi tão grande que reza a lenda que algumas pessoas abandonaram a sala correndo com medo de que o trem as atingisse.
    Os Beatles começaram sua carreira em 1960. 1960 foi o primeiro ano da década de 60. Década é o período correspondente a dez anos. 1960 foi um ano feliz para o cinema. Foi quando o diretor Billy Wilder lançou o filme Se meu apartamento falasse. Na ocasião ninguém fugiu da sala de cinema por que no filme não aparece nenhum trem. E mesmo que tivesse aparecido um trem as pessoas não sairiam correndo, amedrontadas, por que já estão acostumadas com as salas de cinema e sabem que é humanamente impossível um trem atravessar a tela. O Cinema faz parte da história.
     1960 foi um ano triste para os chilenos. Chileno é o gentílico para quem nasce no Chile. Chile é um país localizado na América do Sul. Gentílico é um adjetivo pátrio para qualificar pessoas naturais de determinada região. Adjetivo é uma palavra que demonstra uma qualidade de algo ou alguém. Logo, quem nasce no Chile tem a qualidade de chileno. A capital do Chile é Santiago. Diferente da Inglaterra, Escócia, País de Gales e Irlanda do Norte, o Chile não faz parte do Reino Unido. E 1960 foi ano triste para os chilenos em função dos Sismos de Valdivia. Sismos são deslocamentos de terra ocasionados pela ação das placas tectônicas colidindo entre si. Esse movimento acarreta na formação de maremotos, terremotos e atividades vulcânicas. O Sismo de Valdivia foi responsável pela morte de quase 6 mil pessoas, além de deixar 2 milhões de feridos. Terremotos são comuns no Chile pois o país se encontra entre duas placas tectônicas: Nazca e Sulamericana. Essa tragédia atingiu 9,5 pontos na escala de magnitude de momento. Nenhum outro terremoto atingiu tantos pontos na escala de magnitude de momento, o que torna o Sismo de Valdivia o maior terremoto da humanidade. Hoje, o Sismo de Valdivia faz parte da história.
    Em 1960 Gabriel não era nascido. Mesmo assim, Gabriel é fã dos Beatles. Isso mostra que Beatles faz parte da história. Em 1960 Berlim era uma cidade unificada.  
     Já em Liverpool, Gabriel quis conhecer um pouco mais sobre a história de sua banda favorita. Ouviu dizer que os Beatles eram jovens responsáveis, ícones de uma juventude regrada, os genros dos sonhos de qualquer pai de família. Sabia, também, que com o passar dos anos os rapazes deixaram o cabelo e a barba crescer, usaram drogas escondido, viajaram para a Índia, usaram drogas declaradamente, fizeram filme trash, fizeram o maior sucesso sem jamais perder a alcunha de bons moços.
     Gabriel sentiu que poderia deixar o clima mais propicio se fizesse uso de uma das substâncias ilícitas que seus ídolos usaram no passado. Conversou com pessoas, demonstrou abertamente quais eram suas pretensões e por um preço abusivo conseguiu uma pílula de LSD. LSD é um alucinógeno. Alucinógenos são substâncias que alteram o sistema nervoso causando distorção da realidade e paranóia. No caso do LSD, que é uma substância sintética, os efeitos mais comuns são alterações de sentidos visuais e sensoriais. Os usuários, enquanto sob o efeito da droga, são incapazes de enxergar com nitidez e perdem parcialmente a noção de tempo e espaço. Fisicamente, a pupila se dilata, a boca seca e a pressão arterial aumenta. O LSD foi descoberto por acaso em 1943. O responsável pela descoberta foi o cientista Alfred Hofmann. Hofmann nasceu na Suíça, em 1906. Portanto, quando Hofmann nasceu Berlim ainda não havia sido dividida, os Beatles ainda não faziam sucesso e Gabriel sequer era nascido. Mas a partir da descoberta do dr. Hofmann a vida dos Beatles e a de Gabriel surtiriam uma mudança.
    Os Beatles viram no LSD uma forma enrustida de se divertir e dizer ao mundo o quão correto e irreverente você pode ser. Esse período foi considerado o período Psicodélico dos Beatles, apontado por muitos como o ápice da banda. Geralmente, quem não aponta o período psicodélico como o auge dos Beatles aponta o começo da carreira como o auge. Também conhecido como período comportado do quarteto. Mas para Gabriel o LSD está representando uma aventura. Em um instante ele estava no quarto de hotel e agora ele está na sala de estar de Ringo Starr tocando cítara com George Harrison enquanto John Lennon e Paul McCartney assistem a tudo de longe. Gabriel está impressionado com as cores, com a limpidez da música. Em 1943, acidentalmente, o dr Hofmann derramou em seu próprio braço uma substancia extraída de um fungo de centeio para absorver hemorragias durante partos. O engano de dr Hofmann é um marco histórico para a Ciência. Ciência é a mãe de todas as ciências, é a ciência que visa ampliar o conhecimento humano em todas as áreas. Geralmente, um cientista não acredita em Deus, o que o torna um ateu. Gabriel não é ateu, portanto, após algumas horas com seus ídolos ele não se sente bem e pede a Deus que sua viagem termine por ali.
   Na manhã seguinte Gabriel acorda sem entender o sonho que teve na noite anterior. Gabriel teve um surto de loucura inexplicável ocasionado pelo uso indevido de uma substância que ele não conhecia. Com o episódio ele perdeu precioso tempo de viagem e descobriu um lado obscuro das estrelas do rock.
   Após o episódio com LSD Gabriel se posiciona de forma madura e pensa sobre a vida. Ele acredita ter passado por uma espécie de Universo Paralelo e ter vivenciado diversas experiências em pouco tempo.  Mesmo assim não sabe dizer se a experiência foi boa ou ruim. Gabriel, assim como muito de seus amigos, é um jovem desempregado e indeciso. Indeciso por conta do que seguir na carreira por gostar de tudo e não saber o que fazer a partir deste ponto. Pessoas iguais ao Gabriel são sonhadores. Sonhadores é a qualidade daqueles que sonham e enxergam além. Enxergar além é uma qualidade para poucos. Gabriel continua sem entender, mas voltando para casa ele pensa em ingressar no curso História.

terça-feira, 1 de outubro de 2013

O melhor sentimento do mundo

   Aos 22 anos de idade me atrevo a dizer que já conheço o melhor sentimento do mundo. Não sei como é a emoção de receber um filho numa sala de parto. Nunca me deitei com a garota mais bonita do colégio. Passei dos vinte sem fazer meu primeiro milhão. Nunca vi a Aurora Boreal. Mas eu já fui ao Morumbi em dia de jogo.
    Sou daqueles que para o carro longe para fugir do flanelinha. Na caminhada rumo ao estádio, ainda longe, já é possível ver um pedacinho do Cícero. O gigante de concreto está lá, como sempre esteve desde 1960, nos esperando de braços abertos para prestigiar o time da casa. É inevitável não sentir um arrepio que vem da planta dos pés e termina no último fio de cabelo. Os olhos vão levemente se marejando, não importa o tamanho da partida.
    Ao meu lado passa um carro. Entre gritos de “É TRICOLOR” consigo ouvir um trecho do hino que toca alto no rádio: “Tu és forte, Tu és grande...”. A camisa é um amuleto. A bandeira nos reveste de preto, vermelho e branco. O ingresso está no bolso. É lá onde mergulho minha mão a cada cinco segundos só para verificar se ali ainda se encontra. Para minha sorte sempre esteve. Passaporte para 90 minutos que podem ser angustiantes ou aprazíveis, porém, jamais indiferentes.
    Uma das cenas que guardo com maior carinho foi a primeira vez que entrei no estádio. O vão dos portões que dão acesso às arquibancadas trazem um pequeno trecho do campo. O suficiente para deixar o meu queixo no chão. Foi assim na primeira vez. Foi assim na última vez. Na próxima não será diferente, garanto.
    Antes de começar a partida tem radinho de pilha, pipoca, tremoço, amendoim, água, sorvete e salgadinhos. No campo tem equipe de reportagem, comissão técnica, jogadores fazendo aquecimento e crianças cobrando penalidades. Crianças que são jovens demais para saber que pisam em solo sagrado, solo de muitas conquistas e algumas derrotas. Todas inesquecíveis. Os times vão a campo entre aplausos para uns e vaias para outros. A escalação do time local é cantada pela torcida. A bola rola, a bola para, o primeiro tempo acaba, o segundo tempo acaba, mas emoções nunca terminam num estádio de futebol. A saída é uma marcha da vitória quando o resultado é positivo. Quando o resultado é negativo a marcha é fúnebre.
    No carro, de volta para casa, o assunto não é outro senão o gol marcado, o gol perdido, o cartão mostrado, os pontos perdidos. Já em casa, vendo os gols da partida, a vontade agora é de controlar o tempo e trazer a próxima rodada o mais rápido possível para viver tudo isso de novo como se fosse a primeira vez.
    Problema de verdade é quando você fica longe do seu clube. Sou fanático sim, mas não sou daqueles que viaja para ver o time em outro estado. Daqui eu já sofri pelo meu time quando ele enfrentou nada menos que a pior fase de sua história. E também de longe me fiz presente em uma conquista. Sabem uma coisa que nunca vai mudar? O melhor sentimento do mundo. Descobri que não importa o time, não importa o país, tendo o futebol como foco nunca terá nada melhor que uma ida ao estádio.
    O tricolor sai de campo para ceder o espaço em meu coração aos Boys in Green, no estádio Aviva. A seleção irlandesa carrega uma responsabilidade teoricamente maior que a do São Paulo Futebol Clube, pois se trata de uma nação em busca de uma vaga para uma Copa do Mundo. A população irlandesa é de aproximadamente 5 milhões de pessoas. Pegue o número de irlandeses morando no país e multiplique por três. É igual o número de torcedores do São Paulo. Pegue a qualidade dos jogadores do São Paulo, divida por três e o resultado é igual à seleção da Irlanda.
    Durante a partida contra a Suécia ficou clara a falta de qualidade da esquadra verde comandada pelo italianíssimo Trapattoni. Um time que abusa das ligações diretas e do talento individual de Robbie Keane. Para os irlandeses o ídolo maior. Os garotos em verde perderam de virada para os garotos em amarelo. O gol irlandês foi “achado” após a perdida zaga sueca apenas olhar uma troca de passes e arremate a gol, defendida por Isaksson, concluída por Keane no rebote. Acredite, estava fácil marcar aquele gol.
   Quem desequilibrou mesmo foi Ibrahimovic. Sem a bola nos pés o gigante narigudo mostrou muita inteligência tática, sempre bem posicionado. Com a bola nos pés inverteu a função de centroavante para trabalhar de garçom na partida. Com muito sucesso, Ibra sempre conseguia deixar um de seus parceiros na cara do gol. E foi assim que a Suécia virou o marcador e deixou Dublin com um gostinho de guaraná com açaí na boca.
   Durante o jogo era comum ouvir os irlandeses incentivando seus 11 guerreiros com o tradicional gritou de “C’mom You boys in Green”. A música começa lenta, no mesmo ritmo da vinheta do Pedro de Lara em programas do Silvio Santos. Em seguida o grito se torna mais alto e mais agitado. Impossível não se contagiar e não cantar junto. Uma pena não ter surtido efeito nas quatro linhas.
   Mesmo com a derrota na bagagem a experiência no Aviva Stadium foi inesquecível. O estádio apresenta uma estrutura arrojada. É como se uma nave espacial estacionasse em plena cidade. Teria capacidade para cerca de 70 mil pessoas, mas os vizinhos pediram uma redução alegando falta de luz solar em suas residências. Curioso. Me fez pensar em como o povo tem poder.
    Comprei meu ingresso online e retirei na bilheteria com facilidade. Quando em dúvida sobre por qual portaria deveria prosseguir, profissionais me indicaram a direção correta. Dentro do estádio tinha hambúrguer, cachorro quente, bata frita com vinagre, Fish’n’chips e Pepsi. Senti falta dos amendoins. Sentei na cadeira designada a mim, como mostrava meu ingresso.  Vi a partida perfeitamente, sem pontos cegos. 50 mil pessoas. 50 mil vozes. Um show de cores. O interior do estádio impressiona.
   O interior do estádio realmente impressiona, mas o que ficará para sempre em minha retina foi aquele primeiro encontro com o estádio. Ainda longe dele, me fez sentir como se tivesse 10 anos novamente e estivesse chegando ao Morumbi pela primeira vez. Contive a emoção e enquanto tomava minha pint de Guinness só conseguia pensar no quanto eu amo Futebol.


quinta-feira, 29 de agosto de 2013

O triste fim da MTV Brasil

   O programa Porta dos Fundos é realmente brilhante! O humor sutil e o nonsense escancarado que torna o bizarro atraente são provas disso. Em qualquer roda de amigos é raro encontrar um que não se encante com o grupo. Geralmente, para descontrair, eu vou ao Youtube, seleciono o canal dos caras e racho o bico. Nas minhas previsões daqui alguns anos o grupo deixará de existir. Todo ciclo se encerra. Um dia a fonte de criatividade vai secar. As piadas se repetirão e o programa vai sucumbir perante um novo grupo de comédia com um canal no Youtube ou em um meio de difusão superior.
O que isso tem a ver com o fim da MTV? Tudo.

   Nasci em 1990, acredito que não sou o melhor para falar sobre a importância da MTV no Brasil já que enquanto a emissora dava seus primeiros passos eu ainda engatinhava. Mas guardo muito saudosismo comigo e o pouco que vi, num tempo remoto, é o suficiente para lamentar esse ciclo de sucesso que se encerrou na TV aberta.
    Quando surgiu o primeiro boato do fim da MTV eu pensei: “Mas, cara, foi lá onde fui apresentado às minhas bandas favoritas. Isso não é justo.” Mas o mundo dos negócios não é feito de justiça. Ele é feito de dinheiro. E a MTV não fazia mais dinheiro. Não fazia dinheiro, não fazia sucesso, não dava mais Ibope. Posso até ser chato a ponto de dizer que só fazia piadas.
    Minha relação com a MTV vale-se pelos anos de 1999 até um período indeterminado, quando o canal começou a denegrir. Música não era mais o carro chefe da Music Television. No mínimo contraditório. Entrava em cena os reality shows e os programas de lazer/comédia. Curti muitos deles, como por exemplo: Hermes e Renato, RockGol, Pimp my Ride, Punk’d. Isso sem falar nos programas de música. Nunca aprendi tanto sobre música como na época em que assistia Top Top MTV: Leo Madeira e Marina Person formavam uma excelente dupla que informava e entretinha. Então tá, vamos falar de música: o nome já dizia tudo, era uma aula sobre um gênero musical. Uma pena que teve vida curta na emissora. Piores Clipes do Mundo, Covernation e o Marcos Mion um dia já foi muito legal. Coisas que só a MTV Brasil poderia fazer.

* E já que é para exprimir os sentimentos eu faço uma menção honrosa ao Red Hot Chili Peppers – uma banda que eu gosto só um pouquinho – por que vem deles a lembrança mais doce que eu tenho da MTV Brasil. O ano era 1999/2000, o programa era o Disk MTV. A apresentadora deveria ser Sabrina Parlatore. Na ocasião, eu passava todas as tardes torcendo para que Californication estivesse entre os 10 clipes do dia. No dia seguinte, na escola, o assunto com os coleguinhas era o mesmo: “Eae, vocês viram Californication ontem?” Que época boa! E a MTV era parte disso. *

    A MTV encontrou uma fórmula interessante para balancear música e comportamento na televisão. Adquiriu um caráter social, também por ser UHF. O problema começou quando a música perdeu espaço e a comédia reinou. Os programas mencionados no parágrafo anterior já não faziam parte da grade. E os que vieram para substituí-los não davam conta do recado. Era lamentável ver a MTV, que já foi responsável por formar bandas, tornando-se uma piada de mau gosto.
    Se eu tivesse que apontar um culpado eu diria que foi a Internet. Com o mundo disponível em seus smartphones as pessoas não buscavam mais no canal informações sobre suas bandas favoritas, clipes, entretenimento. A MTV que sempre andou paralelo com os jovens se modernizou. Mas era visível que havia ficado em segundo plano. Esgotando suas tentativas, a MTV foi perdendo cada vez mais força. Seus poucos astros foram partindo, contratos se encerrando, o fim já era sentido.
O que vai acontecer com a emissora a partir de agora eu estou curioso para saber. Integrando-se à TV cabo é possível que consiga mais receita para trazer VJ’s de qualidade? Será que continuarão apostando nos programas de comédia 24/7 ou será que ainda tem espaço para música? 

Enfim, tudo isso só para dizer que a MTV Brasil não vai fazer falta. Mas vai deixar saudade.
Agora vou lá para o canal do Porta dos Fundos rir um pouquinho e quem sabe já idealizar o post comentando o fim do grupo daqui alguns anos. É esperar para ver. 

sexta-feira, 16 de agosto de 2013

Hard to say

    After many losses in few time I decided to write. This is a regular post, no one in special. What is special about this post is saying goodbye.
    First time I said goodbye I was 12 years old. My grandpa was 79. In this case was hard to say goodbye because I didn’t have the opportunity. Maybe because I was too young. At that time I thought cancer would be easy to overcome. But I was wrong. I couldn’t say bye for my first loss.
    While writing the previous paragraph I remembered my actual first loss: my pinscher. My second loss was another pinscher, the one we brought to replace the first one. Mile lived for four months, Sandy for one year. Poisoned or runned over by a car, respectively, at the end my sadness was the same. Anyway, can not compare with the hole that grandpa left.
    In 2007, when I moved from my current school to a new one, it was hard to say goodbye. I had been studying with my gang for long years. In the very last high school year I found myself alone in a brand new place. It took few time to make some friends. It took few time for saying goodbye one more time.
    College, job, another job, another places, another groups and always the same ending. Always the same words, the same wishes. Some things in life will never change. But as time passes it seems harder and harder to get used to this conditions.
    Sometimes it is better to avoid thinking about it. Not thinking about it I decided to live abroad. Far from my family, my friends and my dog - after losing two dogs we decided to try our luck buying a new one. I wish you a long life, Mindy, God only knows how much I love you.
    I can’t remember a goodbye so sad like that September, 21, 2012 in Guarulhos International Airport. I put in my mind it was not a goodbye. It is more like a see yous later. I will be back soon, trust me.
    In different lands I met new people. New people means saying goodbye in the future. But when we meet we don’t think about it. We just think about it when it really happens. Then it is too late. And one by one I lost them all. Again, at that time I promised it was not goodbye, it was a see you later. But deep inside I knew it would be difficult to keep my promise, being a group of people from different cities, countries and continents.
    Loosing those we love can not stop us from making new friends, this is socializing. But I must confess I’ve been trying hard not to get too involved with people. At the end the speeches are all the same. The wishes are all the same. And the tears are always bitter. There are things in life that never change. It will be always hard to say goodbye.

See You later, dear readers.

quinta-feira, 25 de julho de 2013

Afinal, o que acontece com o São Paulo?


    Me sinto na obrigação de me posicionar sobre o Mais Querido. Afinal, o que está acontecendo com o São Paulo Futebol Clube?
     Vou começar tentando eliminar o mal pela raiz: diretoria. O São Paulo tinha eleições diretas à presidência a cada dois anos. O estatuto do clube foi alterado em 2008 e partir dessa data o presidente em função tem o direito de exercer seu mandato por três anos. A mudança ocorreu no segundo mandato de Juvenal Juvêncio, o que lhe credenciou um ano a mais no posto. Insatisfeito, Juvenal concorreu às eleições do clube em 2011, onde terminou reeleito para exercer seu terceiro mandato como presidente. Ação ilícita, ainda segundo o estatuto do clube.
     Na época a reeleição de Juvenal não fez muito barulho pois foi abafada pela repatriação do craque Luis Fabiano e pelas seguidas contratações de outros bons jogadores, como Jadson, vindo do Shaktar Donetsk.
    De temperamento forte e declarações descabidas Juvenal é apontado por grande parte da torcida social como o maior culpado pelo atual cenário são paulino. Vale lembrar que hoje, 25 de Julho de 2013, um dia após a derrota para o Internacional de Porto Alegre, em pleno Morumbi, o tricolor chegou a oitava derrota em oito jogos. Como consequência amarga nada menos que a pior fase da história do clube.
     Eu confesso que já gostei de Juvenal, claro! Durante a gestão de Marcelo Portugal Gouvêa, Juvenal Juvêncio era o homem forte do presidente. Atuando como gerente do clube ele alicerçou a equipe que futuramente seria campeã Paulista, Continental e Mundial. Em sua gestão não conseguiu a tão sonhada quarta conquista da Libertadores da América, mas em troca manteve o São Paulo no auge com a inédita conquista de um tricampeonato brasileiro.
    Durante esse período JJ trouxe jogadores como: Ricardo Oliveira, Ilsinho, Miranda, Alex Dias, Jorge Wagner, Leandro, Dagoberto, Borges, Adriano, Eder Luis, André Lima, Washington, Fernandão, Marcelinho Paraíba, Leo Lima, Osvaldo, Cortez, Rafael Tolói, etc. Todos esses nomes de peso que ajudaram a construir uma boa imagem do clube.
    Não credito culpa ao dirigente em casos como o de Paulo Henrique Ganso, que chegou ao clube a peso de ouro e não vem correspondendo com o dinheiro investido. Luis Fabiano, ídolo, boa identificação com a torcida mas comportamento infantil a ponto de colocar o time em apuros em momentos onde deveria ser decisivo. Ou então, Lúcio, xerifão, capitão da seleção brasileira na Copa do Mundo disputada na África do Sul, currículo invejável fora do país e desempenho patético com a camisa do São Paulo. Esses são casos específicos de atletas que ainda defendem o tricolor.
    Não vou em entrar em detalhes de atletas como Arouca, Cleber Santana, Juninho, Marlos, Wagner Diniz,  que chegaram no clube trazendo boas expectativas de títulos e acabaram saindo pela porta dos fundos. Além de outros fiascos - na minha opinião - como Renato Silva, André Luis, Saavedra, Adrian Gonzales, Francisco Alex, Edgar, Xandão, Fernandinho e melhor parar por aqui...
     Em favor de Juvenal conta também o Centro de Formação de Atletas Laudo Natel, localizado em Cotia. A estrutura que o clube oferece para os jogadores da base é melhor, inclusive, que a estrutura oferecida aos atletas do elenco profissional. O investimento trouxe bons frutos: Jean, Hernanes, Breno, Bruno Cesar, Oscar, Lucas, Casemiro, Lucas Piazón, saíram de lá, brilharam com a camisa tricolor e hoje brilham em importantes equipes brasileiras, do exterior e seleção nacional. Outros, com nem tanto brilho assim também foram crias de Cotia: Richard, Aislan, Zé Vitor, Wellington, Diogo, Jackson, Juninho, Chumbinho, Henrique, Lucas Gaúcho, Henrique Miranda, Luiz Eduardo, Ademilson. A lista é realmente longa.
     As recentes transferências de jogadores como Lucas, Casemiro, Oscar e Jean geraram boa renda ao clube do Morumbi. Além do dinheiro criou-se uma filosofia de dependência dos atletas vindos de Cotia e sua utilização na equipe titular. O presidente nunca escondeu que seu sonho era entrar em campo com todos os atletas formados na base tricolor. Soberba? Não, Soberano.


Problema número 1: Já mencionei anteriormente que não culpo Juvenal pelas contratações. O ato de contratar é um ato de risco. O São Paulo não é o único time que contrata e tem problemas com o rendimento dos atletas durante a temporada. Esse é um problema do futebol, não é exclusividade tricolor. Logo, ausento JJ de culpa.
    Em contrapartida culpo Juvenal pela insistência com a base. Aliás, após citar nomes e mais nomes de jogadores formados na onerosa base de Cotia acho no mínimo catastrófica a performance da equipe de Juniores nas campanhas de 2012 e 2013 da Copa São Paulo de Futebol Júnior. Em 2013 o que vimos era uma porção de garotos vestindo a camisa tricolor, porém, recém contratados de outras equipes. Ou seja, caso o time de 2013 se sagrasse campeão os méritos seriam todos depositados em Cotia sendo que os atletas por lá estavam apenas a alguns meses. Pode me chamar de burro, mas acredito que isso não seja “trabalho de base”.
     De repente a atitude de contratar atletas de outras equipes para a disputa da Copa São Paulo foi um ato de desespero perante a pífia campanha de 2012 onde o tricolorzinho foi eliminado ainda na primeira fase. Desempenho muito aquém do esperado. Na minha opinião: culpa da má administração, culpa de Juvenal.
Uma possível solução: Parar de insistir nos garotos da base. Um novo Lucas não surge da noite para o dia. Como disse Rogério Ceni, nosso M1to e capitão: um jogador como Lucas só apareceu 3 vezes enquanto ele defende o São Paulo: nos anos 90 com Denílson, anos 2000 com Kaká e agora com o próprio Lucas. O resultado é o técnico tendo que reverter um placar negativo em pleno Morumbi, olhando para o banco de reservas e vendo Ademilson como opção para o ataque.


Problema número 2: Ambiente. Percebi que a vida de jogador de futebol é muito parecida com a vida de sub empregados: diariamente precisa de um incentivo para não se sentir um completo imbecil! Eu vivo de sub emprego e preciso do meu chefe diariamente elogiando minhas tarefas. Acredito que seja assim também com os atletas pois o que mais escuto por aí são jogadores com o ego abalado após vaias da torcida ou críticas internas. A diferença é que eu ganho dois salários mínimos e os jogadores ganham duzentos salários mínimos.
     O ambiente começou a ficar pesado no São Paulo após tantos atletas reclamarem da reserva ou de substituições que julgavam desnecessárias no decorrer das partidas. O então técnico, Ney Franco, acabou criando um clima hostil no dia a dia do clube na visão de gerentes e atletas. Mas esse tipo de problema não era para ser comentado num blog de torcedor, não é verdade? Esse tipo de problema é para ser discutido ainda no vestiário e lá mesmo ser resolvido. Imprensa não pode tomar partido e atletas profissionais não podem trocar farpas através da mídia. Na minha opinião: Culpa do JJ que mais uma vez deixou a desejar na escolha dos profissionais que ele emprega para gerir o clube.
Uma possível Solução: trabalhar o ambiente interno do clube. Entendo que na vitória não existem problemas, ou melhor, os problemas são encobertos. Mas em momento de vacas magras, como o de hoje, é preciso uma equipe de profissionais apta para administrar o time tanto dentro como fora de campo. Se o jogador precisar de um puxão de orelha tem que existir alguém que o faça. Se o jogador precisar de um incentivo tem que existir alguém que o faça.
    No São Paulo os problemas são tratados com murros, pontapés e microfones. Estamos falando de um clube tricampeão mundial, tricampeão da América, hexacampeão brasileiro e que paga em dia. Precisa de incentivo maior que esse para mostrar o futebol esperado em campo?

Problema número 3: Comissão técnica. Esse muito atrelado ao problema número 2. De 2006 a 2008 além de uma equipe competitiva e vencedora o são paulino se orgulhava dos profissionais fora das quatro linhas. Em especial o núcleo de Reabilitação Esportiva, Fisioterápica e Fisiológica – REFFIS. De cabeça consigo lembrar nomes como os já citados Ricardo Oliveira e Adriano, que vieram para se tratar e acabaram firmando um contrato com o tricolor. Além deles já se trataram no Reffis: Kaká, Júlio Baptista, Zé Roberto, Diego, Thiago Motta. Outra vez a lista é grande.
     E as vantagens não eram apenas no quesito recuperação. De 2006 a 2008 o tricolor se especializou na preparação do atleta. Muito comum ouvir jogador reclamar da tabela do futebol brasileiro. Jogos de quarta e domingo tornaram-se um pesadelo. (Detalhe: dois jogos na semana cansa o atleta. Um jogo o deixa fora de ritmo. Vai entender a boleirada...) Sabendo disso o São Paulo oferecia treinos musculares exaustivos a seus atletas e sem corresponder com as atividades táticas. O resultado era jogadores aptos a encarar uma temporada recheada com um baixo número de lesões.
     Cinco anos se passaram e mais uma vez parafraseando nosso capitão: “Paramos no tempo”. Hoje não escuto no rádio, não assisto na televisão, tampouco leio na Internet sobre jogadores do futebol internacional se tratando no Reffis. Pior, vejo atletas do elenco são paulino sofrendo cãibras aos 20 minutos do segundo tempo. Vejo jogadores indo e voltando do Departamento Médico. Vejo alguns que vão e sequer voltam. Em casos específicos, desde contratados, mais frequentaram o DM que o próprio banco de reservas da equipe. Sofrer uma lesão é normal. Ter metade de um time no Departamento Médico é despreparo. E isso se tornou rotina no São Paulo. De quem é a culpa? A culpa é de quem demite, ou concorda com a demissão dos preparadores, fisioterapeutas, fisiologistas e médicos que compunham uma equipe vencedora. Tudo bem, é difícil falar sobre isso uma vez que não vivemos os conflitos internos do clube. Mas não acredito em profissionais insubstituíveis a ponto de ver uma equipe tão despreparada em campo. Na minha opinião, reflexo de uma equipe despreparada fora dele.
Uma possível solução: Isso vai além do âmbito esportivo, passa pelo setor clínico e estaciona no administrativo. Como torcedor a única solução que vejo é uma equipe inteira e correndo os 90 minutos se não for exigir demais.

    Além dos problemas citados acima em época de crise é normal criar, criar e não finalizar. Ver o goleiro adversário realizar um milagre. Uma bola bater na trave e no contra ataque sofrer um gol. Suspensão de um atleta nas vésperas de um clássico. Todos os times que hoje disputam a Série A do Campeonato Brasileiro já passaram por uma crise nos últimos anos. Times que nunca caíram para a série B, como Internacional, Cruzeiro, Flamengo e Santos já flertaram com o descenso anos atrás. Com o São Paulo não seria diferente. 
    Como torcedor espero ver um time empenhando e raçudo a cada jogo. Técnica também ajuda, aliás, é fundamental. Analisando o plantel tricolor não tenho dúvidas de que brigaríamos por título e por vaga na Libertadores. Sabemos que o nosso problema vai além de técnico. Minha tese é baseada na saída de Ney Franco e permanência dos mesmos problemas. 
Uma possível solução: contratar, treinar, concentrar, visitar um psicólogo...poderia apontar dezenas de medidas cabíveis. Mas a primordial é pressa! Ainda temos cinco meses até o fim de 2013. Um ano que começou com promessa de títulos perante o número de torneios que nos qualificamos a disputar. Mas até agora 2013 se mostrou uma corrida contra o tempo para impedir que o Vermelho não seja a cor da vergonha.